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O MOVIMENTO DE DESEMPAREDAMENTO DA RUA DO LOUREIRO, CRIADO PELO LIONESA GROUP, APRESENTA A SUA ÚLTIMA CRIAÇÃO ARTÍSTICA ANTES DA REQUALIFICAÇÃO DOS EDIFÍCIOS

2023-07-10

A última intervenção do Movimento Arte pela Arte vai abordar o cruzamento cultural e a diversidade da histórica Rua do Loureiro bem como a memória dos jardins e flora do Porto através da obra “Rosa da Índia”.

Inauguração dia 5 de Julho às 15h.

A propósito do movimento de desemparedamento dos edifícios da Rua do Loureiro nasce mais uma obra com a mentoria da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A famosa rua portuense, que conta já com 4 obras criativas dos alunos da FBAUP, vai ter uma nova, e última, intervenção artística desta vez um mural sob o nome Rosa da Índia. Esta é uma flor que simboliza o encontro de várias culturas, que carrega a Índia no seu nome, apesar de ser originária do México. É encontrada em vários lugares diferentes do mundo, inclusive nas ruas da cidade do Porto, sendo a pintura deste mural na Rua Loureiro a materialização artística desse ponto de encontro multicultural.

A autora é Giulia Yoshimura Pestana, mais conhecida por Mura, estudante do Mestrado em Artes Plásticas da FBAUP “Todos os dias venho de comboio para o Porto e desço na estação São Bento, caminhando pelos arredores e descobrindo seu entorno, em alguns jardins e canteiros por perto encontrei a flor do Rosa da Índia e logo me encantei pelas suas cores quentes, muitas camadas de pétalas, e o cheiro forte graças às suas características medicinais. Meu desejo ao trazer essa flor para o projeto de Arte pela Arte na Rua Loureiro foi remeter a beleza do verão da cidade, sua única época de floração, com o calor nas cores, e evidenciando os caminhos das pétalas onde nos perdemos no seu encanto assim como nas ruas e vielas do Porto.”

O projeto Arte pela Arte, criado pelo Lionesa Group, proporcionou ao longo destes últimos meses uma verdadeira galeria de arte ao ar livre, totalmente aberta aos visitantes e habitantes locais da Rua do Loureiro. A iniciativa pretendeu desde logo transformar e “abrir” os edifícios emparedados às pessoas e à cidade, devolvendo-lhes a vida de outrora e tornando a rua um local de partilha de conhecimento e cultura. 

Estas obras estarão em exibição até Setembro, altura em que as mesmas irão dar lugar às obras de requalificação dos edifícios.


Sobre as intervenções anteriores: 

A primeira intervenção artística, “Transformação”, da autoria de Rafael Alves, pretende pensar o modo como os espaços se vão alterando, num diálogo com os materiais e com a sua temporalidade, onde objetos anteriormente votados ao esquecimento são recuperados e novamente devolvidos à comunidade através da arte, como se pretende com a própria Rua do Loureiro. 

“Quem conta um Ponto, acrescenta-lhe um Conto”, 2ª intervenção, é centrada na formulação hipotética de um mito local, relacionado com a área da Rua do Loureiro e do anterior Mosteiro, hoje em dia Estação de São Bento.  
A lenda da efígie de São Bento, interpretada nesta intervenção, é baseada em factos que, podem ou não, ter ocorrido numa rua tão famosa e tão cheia de segredos, como a Rua do Loureiro. Mas qual a verdade? Existirá mesmo uma efígie? Onde esteve guardada este tempo todo? Poderão os portuenses conhecê-la no novo bairro cultural da cidade?

A 3ª intervenção sob o nome “Ilusional reality” apresenta um paradoxo entre o que estamos a ver e a dificuldade do nosso cérebro em processar a informação. Uma obra interativa que utiliza o material e a localização para captar a atenção daqueles que passam na rua. Duas cores, dispersas sobre a superfície ondulada das chapas, divididas pela curvatura das ondulações, configurando um forte efeito ótico. Visto numa direção, o rosa destaca-se, e na direção contrária, o verde sobrepõe-se. Quando olhado de frente, a complementaridade das duas cores, produz um efeito ótico bastante desconcertante dado que os nossos olhos não conseguem estabilizar a focagem, criando uma reação de desconforto e fascínio.

Ambas as obras foram criadas pelos estudantes Ana Cardoso, Ana Leça, Ana Margarida Silva, Antónia Spengler, Clara Ginoulhac, Filipa Moreno e Mariana Maia Rocha, a intervenção pretende destacar a condição de facto e de mito, onde ambos colaboram na definição de atenção e mediatismo. 

A 4º intervenção do movimento, foi apresentada dia 1 de Junho. Da autoria de Inês Amorim, aluna de artes plásticas, “Significant Form” representa a ideia de um possível eco do mundo, formalizando na rua um lugar privilegiado de observação e escuta. O “eco” da Rua do Loureiro, é uma metáfora de circulação de conhecimento, questionamento e inquietação onde a simbiose do industrial e da materialidade se torna a base de um diálogo constante com as pessoas e o espaço envolvente.
Joga com a questão do desemparedamento, com a porta que vai abrir ou fechar conforme a perspetiva das pessoas que vão subindo ou descendo a rua. 



Filtro Arte pela Arte

O movimento #artepelaarte pretende incentivar o uso da arte como motor de regeneração. Para isso foi criado um filtro no Instagram, com a finalidade de ser utilizado para fotografar espaços ou artérias degradadas e esquecidas das cidades com o objetivo de despertar a comunidade para estes problemas. Um convite a travar o esquecimento dos espaços e ruas históricas das cidades muitas vezes deixadas ao abandono e à degradação dando-lhes uma nova vida, intervencionando com arte. Através do filtro criado para este efeito e do hashtag #artepelaarte qualquer um pode aderir ao movimento. 


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